sexta-feira, 26 de novembro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - TV MRN AO VIVO!!!!!!!!!!
programa como a palavra do presidente vai ser o primeiro programa trammitido ao vivo pelo mrn
sábado, 6 de novembro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - TV MRN
a TV MRN que foi fundada junto com o movimento logo morreu depois de diversas tentativas de trasmissão frustradas os diretores do mrn acharam melhor que a TV MRN fosse extinta para a entrada de videos do MRN. o nome continua TV MRN mas sem tranmissoes AO VIVO.
G1 & MRN
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - VISÕES DA CISPLATINA:
Resumen: Este artigo se propõe a analisar dois relatos da Guerra da Cisplatina. O primeiro é composto por cartas do General da Banda Oriental, Juan Antonio Lavalleja, que comandou a expedição contra a ocupação portuguesa, e o segundo foi escrito por um combatente do Império, que embora se mantenha anônimo, trata-se, provavelmente, de um oficial mercenário alemão. Ambos partem de pontos de vista distintos e nos oferecem duas abordagens sobre a criação do Estado Oriental.
Palabras clave:Guerra da Cisplatina. Independência do Uruguai. Identidade.
O objeto de análise desse artigo são duas fontes importantes, porém pouco exploradas, a respeito da Guerra da Cisplatina, episódio fundamental para a independência do Uruguai: o Contribuições para a História da guerra entre o Brasil e Buenos Aires – uma testemunha ocular e as Memorias de la Expedición de los 33, al Mando del General Juan Antonio Lavalleja para expulsar a los portugueses de la Banda Oriental 2.
A primeira é a tradução do original Beitrage zur Geschicht Zwischen Brasilien und Buenos Aires que teve seu primeiro volume impresso em Berlim, na tipografia G. Reimer, em 1834, com autoria anônima. Existem especulações em torno da identidade do autor. Aurélio Porto, que escreveu a “Explicação” do relato, afirma que o Barão do Rio Branco, em suas Efemérides, já teria arriscado sobre quem seria o verdadeiro autor de Contribuições. Segundo Rio Branco trata-se do capitão barão Carl Von Leenhof, um oficial de guerra trazido para comandar tropas imperiais que lutou na Guerra da Cisplatina pelo Corpo de Voluntários, que consistia em um esquadrão criado em São Leopoldo composto por colonos alemães que engrossavam as fileiras do exército imperial em troca do soldo.
O segundo documento é constituído pela correspondência pessoal entre Juan Antonio Lavalleja, General em Chefe da Banda Oriental, e seu amigo Pedro Trapani, ao qual se juntam outras cartas e alguns documentos oficiais.
A análise dessas fontes se deu no sentido de compreender de que forma o General Juan Antonio Lavalleja, o principal ator oriental nesse contexto, percebeu a participação da Banda Oriental na guerra e o surgimento da possibilidade de que esse território acabasse por se constituir em um país independente, bem como, de que maneira a mesma percepção se deu por parte de um estrangeiro que se apresenta como uma testemunha ocular e imparcial dos eventos. Nesse sentido, a intenção é analisar os relatos tomando como eixo o questionamento acerca da construção do Estado uruguaio.
A Guerra da Cisplatina e a decorrente independência do Uruguai
Em 1821 3, as oligarquias rurais porteña, oriental, rio-grandense e o Império brasileiro articularam a ocupação luso-brasileira da Banda Oriental querendo derrotar o movimento artiguista que se instalava e lhes causava muito temor, uma vez que o projeto agrário de Artigas só tinha a desfavorecer essas mesmas oligarquias rurais. Feita a ocupação, a Banda Oriental renomeada como Província da Cisplatina, tornou-se colônia portuguesa integrando às demais províncias do Brasil.
Neste contexto, no entanto, ocorreu uma mudança na orientação política de Buenos Aires com a ascensão dos caudilhos federales ao poder, que decorreu na retirada do apoio de Buenos Aires ao Brasil na ocupação da Cisplatina. A pressão contra a dominação luso-brasileira na Banda Oriental aumentou, à medida que Buenos Aires passou a receber o apoio de outras províncias. Os governadores destas províncias também se mostravam descontentes com a ocupação luso-brasileira e, principalmente, não lhes agradava a forma como o governador da Cisplatina, general Lecor ou Barão de Laguna, exercia seu poder. Sendo assim, os opositores à administração de Lecor passaram a aproveitar-se dos pontos frágeis deste governo para questioná-lo.
A independência do Brasil em relação a Portugal, em 1822, abriu a primeira brecha para esse questionamento, à medida que criou divisões internas entre os ocupantes da Banda Oriental. Uns mantiveram-se fiéis à Coroa Portuguesa e outros ao Império Brasileiro. Além disso, ocorriam razzias e ocupações das melhores terras da Banda Orientalpor parte dos estancieiros rio-grandenses, o que, de certa forma, contrariava os planos de Lecor de tentar recuperar a economia da Província Cisplatina. A forma despótica com que os estancieiros do Rio Grande do Sul usufruíam dos recursos orientais causava verdadeira aversão na oligarquia rural oriental e “o paraíso anunciado pela restauração promovida por Lecor em nome do Império transformava-se num novo inferno, comparável ao da época da revolução artiguista”. (GUAZZELLI, 1998). O descontentamento aumentava e a possibilidade de um levante se fazia presente.
Novamente, com o apoio e também o financiamento de pecuaristas de Buenos Aires, embora sem o apoio formal do governo porteño, eclodiu o levante oriental contra a dominação imperial brasileira. Comandado pelo chefe oriental Juan Antonio Lavalleja, um bando de 32 homens deflagrou o que ficou conhecido como a “Expedición de los 33 orientales”, em 19 de abril de 1825. Esse levante não atacou diretamente as tropas imperiais, mas agiu na sublevação de peões e pequenos caudilhos insatisfeitos, arregimentando-os por onde passavam. Até esse momento, o caudilho oriental Fructuoso Rivera permaneceu aliado às forças imperiais, no entanto, percebendo que a sublevação poderia lhe ser favorável, declarou-se comandante dos orientais sublevados junto a Lavalleja, em 2 de maio de 1825. A princípio, a intenção do levante não envolvia projetos de autonomia para a Banda Oriental, mas derrubar o poder imperial, recuperar as terras, reorganizar a economia oriental e buscar a anexação deste território pela República das Províncias Unidas do Rio Prata.
Nesse sentido, a partir da deflagração do levante, os chefes orientais tentaram conquistar o apoio político-militar das demais províncias da República das Províncias Unidas do Rio da Prata e inclusive de alguns caudilhos sul rio-grandenses. Dessas tratativas de apoio até a anexação da Banda Oriental pelas Províncias Unidas, em 25 de agosto de 1825, transcorreu um conturbado processo com avanços e recuos a respeito da aliança formal entre Buenos Aires e Banda Oriental.
A declaração de guerra por parte das Províncias Unidas, ao lado da Banda Oriental, contra o Império aconteceu em 3 de janeiro de 1826, embora, não oficialmente, antes disso já estivessem ocorrendo atuações militares ao lado dos orientais por parte de algumas províncias.
Em 22 de fevereiro de 1827, ocorreu a decisiva batalha de Ituzaingó, ou Batalha do Passo do Rosário, vencida pelas forças argentinas comandadas pelo General Alvear. A situação da guerra, no entanto, não se mostrou definida e abriu espaço para a participação efetiva da Inglaterra na mediação do conflito através do enviado Lorde Posonby.
A presença inglesa definiu o rumo do encerramento do conflito, e a Convenção de Paz, assinada em 27 de agosto de 1828, resolveu que a Banda Oriental constituir-se-ia em um Estado independente e autônomo, o Estado do Uruguai.
A historiografia latino-americana e a construção de identidades nacionais
É sabido que a Guerra da Cisplatina, que envolveu a República das Províncias Unidas do Rio da Prata e o Império do Brasil, entre 1825 e 1828, desencadeou o processo que culminou na emancipação política do Uruguai. A “Convenção Preliminar de Paz de 1828” trata, durante seus 19 artigos, das resoluções em torno da independência uruguaia:
Artigo 1. Sua Magestade o Imperador do Brazil Declara a Provincia de Montevideo, chamada hoje Cisplatina, separada do territorio do Imperio do Brazil, para que possa constituir-se em Estado livre e independente de toda e qualquer nação [...]. Artigo 2. O governo da Republica das Provincias Unidas do Rio da Prata concorda em declarar e pela sua parte, a Independencia de Montevideo chamada hoje Cisplatina; e em que se constitua em estado Livre e independente [...]. 4. |
Em termos gerais, é questão pacífica na historiografia uruguaia que a possibilidade de o Uruguai ter se tornado um Estado livre e autônomo surgiu durante a Guerra da Cisplatina, de forma que, a constituição do Estado uruguaio pode ser considerada como resultado desta guerra. Através de diferentes perspectivas, que não necessariamente da história mais tradicional, o tema do surgimento do Estado uruguaio, ou ainda, da “condição” em que o Uruguai conquistou sua independência é exaustivamente abordado. É evidente, no entanto, que existem inúmeras “variações sobre o mesmo tema”, ou melhor, vários pontos de divergência a respeito das motivações e sentimentos que envolveram essa independência.
Segundo Manoel Salgado (GUIMARÃES, 1988) foi durante o século XIX que a História assumiu o estatuto de ciência, sendo também o momento em que o pensar a História se fez de forma mais sistemática. Na Europa, onde esse movimento é mais perceptível, o pensar a História se fez intimamente ligado ao contexto maior das discussões em torno das questões nacionais. Essa relação implica em que a História tenha se constituído como uma forma de legitimar projetos políticos nacionais construídos a posteriori, buscando (ou criando) no passado heranças exaltadoras de sentimentos nacionais. Nesse sentido, Salgado afirma que
a associação entre História e Identidade sempre esteve presente, num procedimento em que muitas das vezes estas identidades foram como que naturalizadas e a História serviu de respaldo e legitimação para encontrar em tempos remotos as provas necessárias que pudessem sustentar uma memória acerca de identidades de construção recente. (GUIMARÃES, 2000, p.22).. |
A forma, então, como a História foi concebida no século XIX, vinculada à construção de projetos nacionais, teve seus seguimentos em diversas partes do globo, sendo possível de ser percebida na produção historiográfica latino-americana em geral.
Dessa forma, partindo de um questionamento colocado por Chiaramonte (1993) relativo à produção historiográfica latino-americana acerca dos assuntos que envolvem as independências nesses países, é possível perceber a mitificação construída pela historiografia mais tradicional e que, de alguma forma, reflete ainda na historiografia mais recente. O autor refere-se às análises que defendem que as emergências dos Estados independentes na América Latina sempre foram precedidas pela existência consciente de uma identidade nacional por parte da comunidade, ou seja, a construção desses Estados foi o resultado condicionado pela prévia existência de uma nacionalidade definida. Essa preocupação em rastrear a gênese do sentimento nacional encobriu a real indefinição dos sentimentos e as manifestações de diferença ou oposição frente aos colonizadores europeus foram interpretadas como traços de nacionalismo. (CHIARAMONTE, 1993, p.49-50).
Esta historiografia fundamentava-se nos casos europeus de formações nacionais e era fruto de uma “vontade nacionalizadora” que tentava, dessa forma, mascarar os frágeis estados surgidos após suas respectivas independências. Segundo Chiaramonte, o sentimento comum no período pós-independências era, na verdade, o de indefinição. Embora existisse uma relativa auto-identificação, isso estava muito longe de constituir-se em identidade nacional. O que havia, e a historiografia tradicional negligenciou, era a coexistência de identidades diversas e até antagônicas:
la hispanoamericana, prolongación del sentimiento de ‘español americano’ elaborado durante el período colonial, la provincial, asentada en el sentimiento lugareño, y la rioplatense – luego Argentina [isso no caso da região do Prata]-, de más compleja delimitación [...]. (CHIARAMONTE, 1993, p.51, grifo meu). |
Ao longo do seu artigo, Chiaramonte lista uma série de autores que se enquadram nesse tipo de abordagem dando ênfase aqueles que defenderam “a tese independentista clássica”. Entre eles cita: para o caso da Argentina, Ruiz Guiñazu (1952), para o México, David Brading (1980), para Chile, Mario Góngora (1986), para Uruguai, Ramírez, Zorilla de San Martín, Bauzá, Blanco Acevedo e Pivel Devoto.
Em trabalho semelhante e posterior, Pablo Buchbinder (1994) também faz uma categorização dos autores latino-americanos incluindo Chiaramonte na análise. Segundo ele, para os casos do Uruguai e Argentina, o questionamento da perspectiva tradicional só aconteceu muito tardiamente e os responsáveis por tal mudança foram, respectivamente, Real de Azúa, defensor de que as aspirações independentistas derivaram de circunstâncias e que se inclinaram mais para a união com as Províncias Unidas do Rio da Prata do que para a autonomia total; e José Carlos Chiaramonte, que alertou para o fato de que a única identidade política verificável no momento da independência era a provincial 5.
No caso da historiografia uruguaia, resolver o trauma da independência parece ainda mais complicado uma vez que esse processo não fez parte dos movimentos de independência das colônias espanholas na América ocorridos no início do século XIX. A independência do Uruguai ocorreu posteriormente quando o território já era independente da metrópole europeia, tendo sido desmembrado da Argentina (na época, Províncias Unidas do Rio da Prata) e cabendo aos historiadores apresentar justificativas que explicassem onde residia a prévia existência de uma nacionalidade definida, que, no entanto, não havia se manifestado quando das revoluções de independência iniciadas em 1810. O problema que está colocado é o de como constituir e delimitar uma identidade uruguaia, se a identidade dos orientais era compartilhada com as demais províncias argentinas. Trocando em miúdos, como fazer do Uruguai um país de memória longa – considerando que, segundo Gérard Bouchard (2003, p.480), “el hecho de poder reivindicar orígenes muy antiguos confiere a la nación enorme seguridad y autoridad moral” – sem vincular esta memória à Argentina.
Considerando Zygmunt Bauman (2005, p.21-22),
a ‘identidade’ só nos é revelada como algo a ser inventado, e não descoberto; como alvo de um esforço, ‘um objetivo’; como uma coisa que ainda se precisa construir a partir do zero ou escolher entre alternativas e então lutar por ela e protegê-la lutando ainda mais – mesmo que, para que essa luta seja vitoriosa, a verdade sobre a condição precária e eternamente inconclusa da identidade deva ser, e tenda a ser, suprimida e laboriosamente oculta. |
Nesse caso, o trabalho dos historiadores uruguaios se deu no sentido de criar uma memória e identidade uruguaia autêntica, buscando estabelecer/criar diferenças pré-existentes entre a Banda Oriental e as Províncias Unidas do Rio da Prata.
Lavalleja e “Anônimo”: diferentes percepções da construção do Uruguai
Para dar início à análise dos relatos faz-se importante retomar e acrescentar algumas considerações sobre a constituição das referidas fontes. O Memorias de la Expedición de los 33, al Mando del General Juan Antonio Lavalleja para expulsar a los portugueses de la Banda Oriental foi publicado pelos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Como foi referido, o Memórias é constituído, em sua maior parte, de cartas trocadas entre o chefe do levante oriental, Juan Antonio Lavalleja, e Pedro Trapani, que era um dos membros da comissão da Banda Oriental enviada a Buenos Aires para tratar dos interesses orientais a respeito de um eventual apoio das Províncias Unidas. No entanto, essas cartas não se tratam da correspondência oficial entre essas figuras expoentes do cenário político da Cisplatina, mas de cartas pessoais trocadas entre amigos de longa data que abordam assuntos políticos conservando um tom de intimidade. Como quando Lavalleja faz longos desabafos acerca de suas incertezas em relação à campanha militar oriental, o que, provavelmente, não seria “confessado” em documentação oficial, ou pelo menos, não com tanta sinceridade. O historiador Américo Jacobina Lacombe, que escreveu o Prefácio da edição, refere que “Os documentos do códice que agora se publica constituem-se basicamente da correspondência de Juan Antonio Lavalleja com o patriota Pietro Trapani, ao qual ele se abria em expansões da maior intimidade [...]”, além disso, afirma também que a esses documentos juntavam-se outras correspondências oficiais originais que “dificilmente se pode compreender como foram cair nas mãos de particulares” 6.
É possível questionar se essas correspondências eram realmente íntimas ou se Lavalleja teve a intenção, mesmo que velada, de que em algum momento elas viessem a se tornar públicas. Acredito que resolver a questão de se essas cartas tiveram a intenção de serem íntimas ou publicadas mudaria muito a forma de sua análise considerando que a “sinceridade de Lavalleja” mencionada acima poderia ser totalmente questionada, no entanto, sabendo da impossibilidade de desvendar tal questão, fiquemos apenas com essa advertência.
Sabendo-se que é constituído por cartas pode-se inferir que não se trata de um relato propriamente dito, ou melhor, não foi elaborado como uma história da Guerra da Cisplatina. Contudo, é possível apreender uma narrativa da guerra através do conteúdo das cartas que são praticamente diárias.
Aqui se anuncia a primeira diferença entre as duas fontes. Enquanto uma é composta por cartas que não nos contam uma história linear, a segunda é um relato típico que se propõe a contar a Guerra da Cisplatina com início, meio e fim. Além disso, não se limita a contar a Guerra da qual participa, mas remonta “desde a chegada dos portugueses e dos espanhóis à costa leste da América do Sul, em 1500” 7. embora este artigo aborde apenas as partes que se referem à Guerra.
Conforme mencionado, a hipótese de que o autor do Contribuições tenha sido um oficial alemão é de autoria do Barão do Rio Branco. O que parece conferir legitimidade a essa tese são diversas indicações que aparecem ao longo do relato. Algumas vezes o autor anônimo faz referências a suas tentativas de disciplinar as tropas, o que indica tratar-se de alguém que possuía algum posto com autoridade frente aos soldados. Além disso, pela exaltação que faz da eficiência das tropas alemãs pode-se inferir a sua nacionalidade, haja vista que essas divisões militares compostas por estrangeiros não tiveram grande relevância no conflito. No entanto, o que parece determinante neste caso é o fato de o relato ter sido impresso pela primeira vez em alemão e em Berlim seis anos após a Guerra. Tenhamos em conta que a capacidade de escrever um relato desse porte não era comum entre simples soldados, bem como, entre a população colonial em geral, e, evidentemente, menos ainda em alemão. Enfim, retomando a afirmação de Rio Branco sobre a identidade do autor de Contribuições, considerando que se tratava de um estrangeiro, percebe-se durante o relato, principalmente quando se coloca a descrever tipos humanos e geográficos, a semelhança que tem com os relatos de viagem do século XIX.
Estendem-se o Brasil e Buenos Aires quase sôbre tôda a metade da América do Sul, desde o sopé da Cordilheira dos Andes até o Oceano Atlântico, e do Equador até a Patagônia [...] natureza prodigiosamente fértil que se estende desde o extremo norte até, mais ou menos, ao 30° de latitude sul, modifica, daqui para diante, o seu fácies característico [...].Um céu sereno e límpido, de um azul belíssimo, se estende, porém, sôbre o altiplano brasileiro, durante a maior parte do ano, excetuados os meses de chuva [...]. Poder-se-ia classificar o clima de ameníssimo, sendo mesmo um tanto cansativo o equilíbrio climatérico, quase constante, originado pela fusão das estações em primavera e verão [...]. A fauna indígena, não obstante ser de enorme beleza e variedade quanto às diversas qualidades e classes, principalmente no que se refere ao colorido, é inferior à do Velho Mundo em fôrça, grandeza e formas e, sobretudo, nas utilidades que a seus habitantes proporciona. [...] Os primitivos habitantes destas terras, os índios, estão divididos em várias tribos, cuja classificação obedece à natureza do solo, ao clima, modo diverso de vida de origem primitiva. 8. |
Ao longo do relato também se encontram colocações em torno de questões políticas, sociais e econômicas. Sendo assim, é preciso manter algumas precauções em relação às opiniões do “oficial alemão”. Robert Slenes (1988, p.197), em uma análise a respeito do olhar dos estrangeiros, em geral viajantes, que passaram pelo Brasil no século XIX, aponta que existem três pontos fundamentais que marcam tais relatos e “que teriam atrapalhado a visão do observador estrangeiro(...)”. O racismo, do qual seria raro o viajante europeu que escapasse; o preconceito cultural, que interferia diretamente nas suas percepções, ou melhor, “a lente distorsiva de sua cultura praticamente não lhe permitia outra visão” (SLENES, p.199); e a ideologia do trabalho da qual estavam imbuídos, que os levava a acreditar que os americanos eram displicentes.
Em um dado momento do relato, o suposto oficial alemão emite sua opinião a respeito das tropas militares imperiais que, segundo ele, não eram afeitas ao treino das táticas militares e por isso muito mal preparadas e que “o gaúcho, como o índio, é sonolento, sendo incapaz de serviços de vigilância noturna” 9. A esse tipo de colocação juntam-se os diversos momentos em que o “oficial alemão” exalta a atuação do Corpo de Lanceiros Imperiais, tropas compostas por estrangeiros, em geral alemães, acabando por aumentar a importância real que estes batalhões tiveram durante a guerra. O próximo trecho demonstra o descaso do “oficial alemão” com as tropas compostas por ‘brasileiros’ e a exaltação das tropas estrangeiras:
Falta de coragem e o uso péssimo das armas de fogo, causaram o insucesso dos ataques da cavalaria, de que pode ser culpado o chefe supremo, que deveria conhecer o imperfeito manejo da arma. [...] A cavalaria inimiga não era muito forte, e o que assustou sobremodo, como mais tarde se soube, foi a meia dúzia de lanceiros estrangeiros que, montados em cavalos cansadíssimos poupados nas marchas para o local, investiu de lança em punho sôbre o inimigo, tal como outrora D. Quixote cavalgando o célebre Rossinante 10.. |
Contudo, é preciso referir que apesar das interferências culturais que o olhar desses estrangeiros sofrem, esses relatos são muito ricos em informações e, segundo Slenes (1988, p.203), “eles também registraram detalhes (en passant, e frequentemente sem entender o sentido) que são passíveis de uma interpretação diferente”, ou seja, apesar das ressalvas, jamais podemos desconsiderar que esses relatos estão repletos de legitimidade.
Pode-se dizer que o que atesta a validade de um relato de viagem, ou ao menos o viajante acredita nisso, é o fato de ele ter visto/presenciado aqueles acontecimentos que conta, ou como se intitula o autor de Contribuições, de ter sido uma “testemunha ocular” daquilo que relata. Essa crença de que o “eu vi” legitima o que se conta remonta à Grécia Antiga. Segundo Hartog (2001, p.20) “o grego antigo relacionou ver e saber, estabelecendo como uma evidência que, para saber, é preciso mais ver do que ouvir”. A esse princípio, muito presente nos relatos de viagem, denomina-se “autópsia”, que quer dizer que o “ver” é mais legítimo do que o “ouvir” ou “saber” por ter sido informado. “A autópsia, poderíamos sustentar, é a maneira de recusar ou de calar as testemunhas [...]: o olho do historiador, portanto, contra o ouvido das testemunhas”. (HARTOG, 2001, p.26).
Outra característica bastante presente nos relatos de viagem é a questão da alteridade, ou seja, a enunciação do outro, daquele que identificamos como sendo diferente de nós.
Dizer o outro é enunciá-lo como diferente – é enunciar que há dois termos, a e b, e que a não é b. [...] Daí para frente, encontramos desvios, portanto uma diferença possível de ser assinalada e significativa entre os dois termos. [...] A partir da relação fundamental que a diferença significativa instaura entre os dois conjuntos, pode-se desenvolver uma retórica da alteridade própria das narrativas que falam sobretudo do outro. (HARTOG, 1999, p.229). |
O relato do “oficial alemão” é bastante explícito em inúmeros momentos no sentido de demarcar sua identidade europeia, com um provável sentimento de superioridade, e sua alteridade em relação aos habitantes da América com seus costumes primitivos. É interessante notar nesse caso que apesar de estar em um contexto de guerra onde ele, enquanto oficial, estava combatendo pelas tropas imperiais, e aqui não vou entrar no mérito de se ele era ou não um mercenário, o relatante identifica como sendo o “outro” (o “b”), não aqueles com quem ele está em guerra, mas todos aqueles que não são europeus como ele, o que inclui tropas inimigas, tropas pelas quais luta e a população americana em geral.
Nesse sentido, percebe-se que o “oficial alemão” não deixa de criticar a política do Império durante seu relato e faz análises bastante interessantes sobre o contexto geral da guerra sem favorecer nenhum dos lados, colocando-se exatamente como “uma testemunha ocular”, ou seja, um espectador da guerra, como se não estivesse envolvido nela.
Pode-se fazer agora outra relação entre este relato e o Memorias: enquanto Lavalleja está se colocando a partir do ponto de vista de uma das partes envolvidas no conflito, quer dizer, está sendo totalmente parcial na defesa de seus interesses e da Banda Oriental, o autor de Contribuições está o tempo todo se posicionando como um personagem neutro. O fato de ser um combatente estrangeiro nas forças imperiais lhe assegurava o estatuto de ser um personagem neutro, uma vez que, na verdade, aquela não era uma guerra dele.
Essa questão nos leva a perceber que estes relatos não se tratam de visões antagônicas da guerra, mas sim faces diferentes da mesma. Está claro que Lavalleja nos oferece a visão sob o ponto de vista da Banda Oriental, no entanto, também está claro que o autor do Contribuições não pode ser considerado como o porta-voz do Império Brasileiro.
Vejamos, portanto, como estes dois locutores testemunhas compreenderam todo o processo de construção do Uruguai a partir da Guerra da Cisplatina considerando os lugares de onde falavam.
Para esta análise parto de duas questões suscitadas pelos próprios documentos:
- para ambas as fontes, quando começou a Guerra?
- partindo do contexto da Guerra, o confronto (ou a disputa) se deu entre quais partes?
O título, Memorias de la Expedición de los 33, al Mando del General Juan Antonio Lavalleja para expulsar a los portugueses de la Banda Oriental, nos aponta, de início, que para Lavalleja, e para os orientais em geral, a guerra principiou quando se deu o levante dos 33 orientais para expulsar o domínio imperial brasileiro, representado pela figura de Lecor, que estava espoliando a economia da Banda Oriental através do apossamento de terras e gado indevidos por parte de brasileiros despóticos. Depois desse primeiro levante, tudo seria questão de conseguir mais apoio para conseguir sustentá-lo.
Tomando o título do outro relato, Contribuições para a História da Guerra entre o Brasil e Buenos Aires – uma testemunha ocular, a guerra aparece restrita ao momento em que Brasil e Buenos Aires declararam a guerra formal. Mas onde está o Uruguai nessa história?
O fato é que desde que Buenos Aires reincorporou a Banda Oriental à República das Províncias Unidas, todos os processos e tratativas acerca da guerra ficaram restritos às “altas partes contratantes” (como é a referência na Convenção de Paz de 1828 ao Brasil e a Buenos Aires). Quer dizer, a principal afetada e interessada, no caso a Banda Oriental, ficou ausente dos debates a partir de então. No entanto, embora sem participação nos debates, não estava ausente do conflito, muito antes pelo contrário. Sendo assim, acho que a segunda questão se coloca nesse momento.
Considerando que Lavalleja aponta o início da guerra a partir do levante dos 33, podemos inferir que a sua guerra é contra a dominação portuguesa e seu inimigo direto é o Império, no entanto, o “oficial alemão” coloca o conflito somente entre Brasil e Buenos Aires, como se o inimigo do Império fosse estritamente Buenos Aires.
Nesse sentido, desde que Lavalleja deflagrou o levante dos 33, passou a pedir insistentemente o apoio de Buenos Aires, ou melhor, do Exército Nacional. Essa tramitação era feita pela comissão da qual Pedro Trapani fazia parte, no entanto, através das cartas entre Lavalleja e Trapani percebemos que o apoio não se mostrava fácil: “Amigo lo q.e intereso saber es si el Govno. Nacional nos auxilia ó nó, (esto es contestando à su carta reservada q.e no la tengo aqui) y em q.e tpo. poderá ser esto, p.r q.e haora mas q.e nunca debo aprovechar los momentos” 11.
Isso demonstra que, quando o conflito iniciou, Buenos Aires não estava envolvida nele, mesmo assim, o Império enviou um manifesto, em 20 de dezembro de 1825, acusando Buenos Aires de não haver declarado guerra oficialmente ao Império apesar das hostilidades:
[...] rebater as hostilidades, q.e o Governo de Buenos Aires, sem declaração de guerra, tem feito, e continua á fazer ao Império, obrigão ao Comandante da Esquadra de Sua Magestade o Imperador do Brasil á manifestar ó seguinte. 1° Todos os Portos e Costas da republica de Buenos Ayres e todos aquelles que na margem Oriental do rio Prata esteverem occupados pelas tropas de Buenos Ayres ficão desde hoje sujeitos ao mais rigoroso bloqueio. [...] 12. |
Ocorre que, até aquele momento, Lavalleja ainda não havia conseguido o apoio efetivo de Buenos Aires que titubeava em relação a apoiar ou não o levante oriental. Em correspondência, datando do mesmo dia do manifesto do Império, Lavalleja escreve para o Ministro da Guerra do Governo Executivo da Nação, Sr. Marcos Balcarce reiterando o pedido de ajuda ao Exército Nacional, “En esta virtude el Gob.no Oriental cree llegado el instante en q.e deve pasar, y enpesar sus operaciones el Ejercito de la Nacion [...], pues el Pueblo Oriental orgulloso con los Triunfos q.e á adquirido, no puede sufrir q.e el tirano le robe inpugnemente [...]” 13.
Em carta, também do mesmo dia, Lavalleja pede a intervenção de Pedro Trapani em relação ao difícil apoio do Exército Nacional,
Se hace preciso convienza V. á nro. amigo [refere-se a Marcos Balcarce] q.e el Exto. Nacional debe pasar, no hay q.e pararse en q.e esta formado este cuerpo ó no, lo q.e necesita es q.e pase la fuerza q.e haiga tanto p.a imponer al enemigo, q.to p.a asegurar el pasage de los prosion. 14. |
Enfim, claro está que o conflito foi deflagrado pela Banda Oriental contra a dominação do Império e que Buenos Aires só aderiu à guerra “a duras penas” tempos depois. No entanto, a partir do momento em que Buenos Aires entrou formalmente no conflito (a declaração oficial de guerra de Buenos Aires aconteceu somente em 3 de janeiro de 1826), o Império direcionou a guerra, exclusivamente, contra Buenos Aires colocando a Banda Oriental a parte dos debates que eram de seu interesse. Esse procedimento de exclusão da Banda Oriental do cenário diplomático da guerra teve por corolário a Convenção de Paz onde as “altas partes contratantes” decidiram sobre o destino do Uruguai, sendo que este nem sequer participou da Convenção.
O próximo ponto interessante de reflexão se refere ao pertencimento da Banda Oriental. Afinal, a quem pertencia a Banda Oriental e como foi justificada a legitimidade dessa posse?
Segundo o “oficial alemão” a perspectiva imperial diante desta questão está colocada no manifesto que justificava a declaração de guerra do Império a Buenos Aires: “Que a posse da Cisplatina era um direito incontestável do Brasil, reforçado pela espontânea adesão da Província ao Império, e ao qual não poderia renunciar arbitrariamente [...].” 15
O conteúdo do manifesto sugere que o Império, ao justificar a posse sobre a Cisplatina como sendo incontestável, baseia-se, provavelmente, em algum pressuposto de “fronteira natural”, como se por “vontade divina” a fronteira do Brasil estivesse fatalmente delimitada às margens do Rio da Prata. Além disso, essa posse “pré-definidamente” legítima teria se consolidado à medida que a Província Cisplatina aderiu espontaneamente ao Império. A referida adesão espontânea remonta ao contexto da dominação artiguista quando, tanto a Coroa lusa quanto a elite buenairense, viram-se ameaçadas pelo projeto agrário de Artigas e com o apoio da elite terratenente oriental, que também temia perder suas terras e gado, entraram em acordo para invadir a Banda Oriental dando a posse a Portugal. Ou seja, a adesão “voluntária” a qual o manifesto imperial se refere tratava-se da saída encontrada pela oligarquia oriental para não sucumbir à reforma agrária de Artigas.
O manifesto imperial também justificava o levante oriental como sendo culpa da tendência revolucionária da Argentina que “era de molde a alargar-se cada vez mais, e que estava evidenciado pelos auxílios de toda ordem prestados a Lavalleja, que tinha sido abrigado e favorecido por Buenos Aires, ali conseguindo elementos para insurrecionar a Cisplatina, [...]”. 16
Em contraponto, no seu manifesto de justificativa à declaração formal de guerra ao Império, Buenos Aires, apesar de ter, em momento anterior, apoiado a dominação portuguesa para conter a reforma artiguista, agora em outro contexto, já passados cinco anos da dominação brasileira, declarou que a posse da Banda Oriental por parte do Império era uma usurpação uma vez que ia contra a vontade do povo da Cisplatina e que as eventuais adesões que o Império teve foram, na verdade, conseguidas pelo Gal. Lecor sob pressão de intrigas e violências. Outro questionamento que o manifesto de Buenos Aires apontava é que a posse da Banda Oriental havia sido concedida à Coroa lusitana e, logo, não poderia ter sido transmitida para o Império depois que ocorreu a independência do Brasil. Buenos Aires ainda se defendia das acusações de que teria ajudado a Banda Oriental a se insurrecionar e que os apoios que Lavalleja recebeu vieram de particulares não tendo nenhuma relação com o governo institucional. Sua justificativa de posse legítima da Banda Oriental consistia em que “o governo republicano, constituía direito a opção voluntária da Província à unidade a que estava ligada pela raça, pela língua e pelos costumes comuns.” 17
Claro está que essas informações nos são oferecidas pelo relato do “oficial alemão”, já que ele que se dedica ao confronto restrito entre Buenos Aires e Brasil. Nesse sentido, vamos retomar o relato Memorias para ver a posição da Banda Oriental nessa questão. Colocamos agora o quarto questionamento: a quem a Banda Oriental, através da ótica de Lavalleja, se sente pertencendo?
Vimos que a Coroa portuguesa e Buenos Aires, com o consentimento da oligarquia oriental, invadiram a Banda Oriental para conter o projeto agrário de Artigas dando a posse do território à Coroa portuguesa. Contudo, quando a oligarquia oriental percebeu que a dominação por parte do Império do Brasil estava sendo tão prejudicial à economia da Província Cisplatina do que quando estavam sob a “ditadura de Artigas”, ela passou a se colocar contra o domínio do Império. Nesse sentido, segundo o “oficial alemão”, até então “raramente se registrava uma ou outra manifestação de orgulho nacional, em Montevideo, refletindo-se contra a dominação portuguêsa”. 18
Na percepção (ou versão) de Lavalleja, no entanto, os orientais suportavam uma dominação usurpadora, sendo que sua identidade e pertencimento estiveram atreladas às Províncias Unidas do Rio da Prata desde sempre.
Depois da expedição dos 33, uma comissão de expoentes da oligarquia oriental instalou um Governo Provisório na Banda Oriental. Em declaração, do dia 14 de junho de 1825, este Governo Provisório fazia seu anúncio: “Llegó al fin ansiado, em q.e los Pueblo Orientales tienem la dicha de felicitarse p.r la Ynstalacion de um Govierno berdaderam.te legitimo, legal. libre; en una palabra, la Obra de sus manos [...].” 19
Instalado o Governo Provisório, este passou a circular a ideia de que a Banda Oriental pertencia originalmente à República das Províncias Unidas do Rio da Prata. Em uma circular aos cabildos da Banda Oriental, o Governo Provisório dizia o seguinte, “La Provincia Oriental desde su origen ha pertenecido al territorio de las que componian el Virreynato de Buenos Ayres, y por consiguiente fué y debe ser una de las de la union Argentina, representadas en su Congreso gral. constituyente.” 20
O pedido de anexação da Banda Oriental foi dirigido à República das Províncias Unidas em 21 de junho de 1825: “La historia de los ultimos sucesos en esta Provincia sorprende ciertamen.te y los Orientales no pueden haber justificado de un modo mas publico su ódio á la dominacion extrangera; sus deseos, y votos por pertenecer á su Gobierno Pátrio.” 21
A partir desse momento, teve início a dura negociação entre a Banda Oriental e a República das Províncias Unidas. A República se mostrava reticente em apoiar os orientais em função de divergências internas existentes. Havia relutância de algumas partes em aceitar tal anexação, uma vez que acreditavam que essa atitude só lhes traria problemas com o Império e, embora fosse economicamente atraente possuir novamente a Banda Oriental com suas terras e gados, não compensaria frente ao conflito que seria travado contra as forças imperiais. Os unitários, que naquele momento dominavam Buenos Aires, eram contra a anexação, sendo que esta aconteceu, em 25 de agosto de 1825, à revelia de Buenos Aires.
Em relação ao aparecimento da possibilidade de fazer da Banda Oriental um novo país, segundo Guazzelli, desde muito cedo, o caudilho oriental Rivera passou a fazer a sua guerra, o que incluía a defesa de seus interesses que iam ao encontro da precoce ideia de independência da Banda Oriental,
[...] Rivera aos poucos desobrigava-se do papel de lugar-tenente de Lavalleja para fazer sua própria guerra, dirigindo seus ‘montoneros’ para os santuários onde estava habituado a lutar, acaudilhando os efetivos irregulares de Corrientes e Entre Rios para sua campanha na fronteira, [...] Aqui iniciaram seus desentendimentos com Lavalleja e a desconfiança de que planejava não mais a adesão da Banda Oriental ao conjunto de províncias argentinas, mas a efetivação da ‘Patria Chica’. (GUAZZELLI, 1998, p.138). |
A ideia da independência não estava colocada para Lavalleja mesmo quando, em conseqüência de uma guerra exaustiva, essa possibilidade passou a ser proposta como forma de pôr fim ao conflito que já se mostrava insustentável. Nessa ocasião, o chefe da Banda Oriental, em suas cartas a Trapani, demonstrou-se relutante à ideia da independência preferindo continuar como parte das Províncias Unidas,
Conosco que la Vanda Oriental podria mantenerse muy bien en un estado independiente pero, amigo no se por que rason la Republica [refere-se à República das Províncias Unidas do Rio da Prata] trabaja por separar de su liga una Prov.a de las que le da mas importancia. Sea de esto lo que fuere si por este medio se consigne la paz, y los tratados no son perjudiciales a esta Prov.a quedando ella a la conclucion de la grra. en una buena planta, creo que dejará de combenirmos la independencia: y que al mismo tiempo haya seguridad para que despues de ber sola esta Prov.a no se le declara grra. por parte del Emperador, por cualesquiera fingido pretesto, y que nos beriamos obligado a combatir solos 22. |
Em resposta, Trapani, convencido de que a possibilidade da independência era favorável à Banda Oriental, tentou acalmar Lavalleja com os seguintes argumentos,
[...] estos temores por mucho q.e tengan de prudentes son en la realidad infundados= La provincia Oriental formando un estado (por el tratado) Independiente, y conservandose en orden guardando como corresponde sus fronteras, no puede ser atacado, sino vienem sus Enemigos de la Luna vamos raciosinando como hombres = En el estado antiguo y en q.e se há encontrado la Provincia Oriental ella há sido siempre la mansana de la discordia: por el tratado quedando Independiente será el Iris de paz [...] 23. |
Esta relutância de Lavalleja em aceitar a independência da Banda Oriental, mantendo-se fiel, desde o princípio, à ideia de que a Província Oriental devia constituir-se, de uma vez por todas, em província da República das Províncias Unidas, lhe custaria um alto preço. Quando a Convenção de Paz foi assinada, Lavalleja passou a ser ostensivamente rejeitado pela oligarquia oriental que passou a acreditar que ele não era uma patriota e que por isso não queria a independência do Uruguai. Tal rejeição levou Lavalleja a exilar-se no Rio Grande do Sul e Rivera a tornar-se o primeiro presidente do Estado uruguaio.
É notável que, até agora, o envolvimento da Inglaterra, tão presente na historiografia a respeito da Guerra da Cisplatina, ainda não tenha aparecido. O entendimento disso se dá no seguinte sentido, abordado anteriormente: a partir da entrada de Buenos Aires na guerra os orientais foram cada vez mais excluídos dos debates, que ficaram restritos a Buenos Aires e Brasil e, da mesma forma, aconteceu com a intermediação da Inglaterra no conflito. Todos os documentos de proposta de independência feitos pela Inglaterra foram dirigidos às “altas partes contratantes”, e nunca aos chefes orientais. As incertezas de Lavalleja em relação à independência demonstram o quanto ele estava afastado dessas tratativas.
No códice Memorias existem alguns documentos de resposta da Argentina aos mediadores ingleses. Note-se que para a Argentina, assim como para o Brasil, a mediação da Inglaterra só tinha a lhes favorecer, não importando as conseqüências que trariam para o Uruguai,
El Grãl. en Gefe del Exto. Republicano, que subscrive, há recivido con el mór placer, la comunicacion que su ex.a el Sor. Gordon Ministro plenipotenciário de S.M. Britanica, cerca de la corte del Janeiro [...] y por mano del Sor. Fraser, miembro de la Legacion Ynglesa, quien conducia tambien los preliminares para um tratado de paz, acordado por el Emperador del Bracil. [...] El Grãl. en Gefe, está altamente persuadido, de que una Paz justa, es el unico fin legitimo de la Grra. [...]. El Grãl. en Gefe que subscrive abraza gustoso, las vaces que se han propuesto [...]. El interes con que la Gran Bretaña ha tomado una parte tan activa, mediando en esta negociacion – para que pueda ajustarse la Paz que se há propuesto; será un documento de la mas eterna gratitud para la Republica Argentina 24. |
No que se refere à Convenção de Paz de 1828 que criou o Estado do Uruguai, embora a intenção tenha sido no sentido de trazer paz àquela região – ou como apontam os trabalhos de Methol Ferre (1973) e Enrique Padrós (1996), criar um Estado Tampão inserido na política de balcanização da Inglaterra que serviria como um “algodão entre cristais” – na verdade, este novo Estado criou um permanente motivo de atritos entre o Império e as Províncias Unidas. As mazelas já se anunciavam durante a Convenção de Paz. Como mencionei, o primeiro problema se colocou à medida que os orientais foram deixados de fora das resoluções, além disso, o terceiro artigo carregava um caráter ambíguo e prenunciava possíveis conflitos: “Ambas as Altas Partes Contratantes obrigão se a defender a Independência, e integridad da Provincia de Montevideo, pelo tempo, e pelo modo que se ajustar no Tratado definitivo de Paz”. 25
Os conflitos que ocorreram ao longo do século XIX entre as Províncias Unidas e Brasil em torno do Uruguai deveram-se a, pelo menos, duas questões apontadas no Tratado de Paz. Além da mencionada acima em relação ao poder conferido às “altas partes contratantes” no sentido de interferência no Uruguai, o tratado, apesar de estar criando um novo país que correspondia a uma zona historicamente disputada, não mencionava os limites geográficos desse novo Estado, ou seja, essa omissão foi, por muito tempo, a brecha encontrada pelas “altas partes contratantes” para seguirem disputando aquele território.
Conclusão
O nascimento do Uruguai corresponde a um “trauma de origem” à medida que o país surgiu como uma possibilidade de se colocar fim a uma guerra, sendo que o desejo de seu chefe militar maior era de que o território fosse anexado à República das Províncias Unidas do Rio da Prata. Além disso, se a Guerra da Cisplatina é tida com a certidão de nascimento do Uruguai, como o sentimento nacional pode lidar com o fato de o Uruguai ter sido constantemente excluído das tratativas diplomáticas ao longo do conflito, o que culminou na assinatura da Convenção de Paz que decidiu sua existência, mas da qual seus líderes políticos não participaram? E com o fato de que, ao ser criado no final da guerra, o país nem se quer teve seus limites territoriais estabelecidos, tendo ainda sido garantida aos seus vizinhos (Brasil e Argentina) a possibilidade de interferirem militarmente no território uruguaio?
Acredito que a conclusão geral desse artigo refere-se à impossibilidade de se tratar a independência do Uruguai como sendo o resultado de uma “vontade nacionalizadora” de sua população imersa em sentimentos de identidade nacional, assim como queria a historiografia tradicional. As “origens” da independência uruguaia têm mais a ver com as disputas pelo controle da Bacia do Prata, primeiro pela Espanha e Portugal, e depois pela Argentina e Brasil, sem esquecer o grande interesse britânico que se colocava por trás, do que com sentimentos nacionais e soberanos.
Em relação aos relatos é inegável que os elementos que ambos acrescentam ao debate sobre a independência do Uruguai são extremamente relevantes e não podem ser ignorados. Esses relatos são fontes importantes e riquíssimas para tais estudos embora tenham sido pouco explorados pela historiografia. As diferentes percepções apresentadas por Lavalleja, profundamente envolvido no conflito, e por um anônimo estrangeiro, que se pretende neutro, nos ofereceram a possibilidade de novos questionamentos acerca do tema - como a forma como se deu a entrada das diferentes partes no conflito, os argumentos apresentados para justificar seus envolvimentos militares, as aspirações, receios e frustrações do líder militar oriental, bem como a sua exclusão dos acertos diplomáticos - o que se espera ter sido satisfatoriamente desenvolvido.
Artigo recebido em 20/10/2008. Aprovado em 11/03/2009.
domingo, 31 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Eleições 2010
BRASIL TEM MAIS DE 200 MIL ELEITORES NO EXTERIOR*
O número de eleitores brasileiros inscritos no exterior cresceu consideravelmente nos últimos anos. A Justiça Eleitoral registrou, entre dezembro de 2007 e julho de 2010, um aumento de 91,46% no eleitorado brasileiro no exterior.
Dos dados analisados no mencionado período, constatou-se um aumento de 95.732 (de 104.660 para 200.392) eleitores alistados nas representações diplomáticas brasileiras espalhadas pelo mundo. Foram, em média, 3.088 novos pedidos de cadastramento por mês.
Os eleitores no exterior correspondem a 1,85% do total do eleitorado brasileiro, que soma 135.804.433.
Para fins de administração do cadastro de eleitores, a Zona Eleitoral do Exterior (ZZ) possui 154 localidades e 624 seções eleitorais distribuídas pelos cinco continentes, sendo que o maior eleitorado está nos Estados Unidos, com 66.940 alistados.
A seguir, relacionam-se, em cada continente, os países com maior eleitorado brasileiro no exterior:
- África: África do Sul - 605 eleitores;
- América: Estados Unidos - 66.940;
- Ásia: Japão - 11.827 eleitores;
- Europa: Portugal - 23.182 eleitores;
- Oceania: Austrália - 1.980 eleitores.
Nos países limítrofes ao território brasileiro, a Argentina soma o maior número de alistados, com 4.291, seguido pelo Paraguai, com 4.155, e curiosamente, por Guiana Francesa, com 3.278, que superou o número de eleitores registrado pelas representações diplomáticas do Chile (1.652) e do Uruguai (1.514).
Esse crescimento deve-se também às campanhas de incentivo ao voto desenvolvidas pela Justiça Eleitoral brasileira, que tem atuado de modo a proporcionar o exercício da cidadania a todos os brasileiros, onde quer que estejam.
Ressalte-se, por fim, a existência de um grande contingente de eleitores brasileiros residentes no exterior que permanecem inscritos no País.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Novidades
que a tv MRN que retransmite o sinal do canal 12 motevideo as 8:30 horario brasileiro de verão fará a troca de sinal para a exibição do horario eleitoral gratuito.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Administração do MRN
sábado, 16 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Administração brasileira no estado oriental
Uma segunda tentativa expansionista lusa ocorre em 1811, mesmo ano em que José Gervásio Artigas adere à Revolução de Maio, iniciada em Buenos Aires, e que busca o rompimento com a Espanha. As tropas de D. João invadem o território oriental sob a alegação de preservá-lo aos Bourbon, casa real a qual Carlota pertence e, também, sob o argumento de que as perturbações no território oriental causavam turbulências na fronteira com o Rio Grande. No entanto, mais uma vez por pressão inglesa, D. João retira as suas tropas desse território em 1812.
Em 1816 ocorre a terceira tentativa expansionista lusa, que obtém êxito. As tropas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves são lideradas pelo então general Carlos Frederico Lecor e invadem o território oriental, conquistando Montevidéu em 20 de janeiro de 1817.
Uma vez estabelecendo-se a conquista e o governo luso de Montevidéu, permanece à frente desta empreitada o general Lecor, que administra o território oriental a partir de Montevidéu até 1825. Assim, nas linhas a seguir serão apresentados alguns aspectos da administração Lecor.
Sobre Carlos Frederico Lecor, líder do projeto expansionista português na região do Prata, nasceu em Faro1, no Algarves. Descendia, pelo lado paterno, de franceses e, do materno, de alemães, sendo destinado por seus progenitores à vida comercial, vivendo, assim, na Holanda e na Inglaterra. Entretanto, opta pela carreira militar, assentando praça no regimento de Artilharia de Faro.
Na última década do século XVIII e na primeira do XIX, Lecor ascende no exército português, tendo tido, dentre outras patentes, as de soldado de artilharia, sargento e capitão. Com as três invasões francesas que Portugal sofre a partir de 1807, lideradas, respectivamente, pelos generais Junot, Soult e Massena, Lecor participa da ação contra os ocupadores e ascende na hierarquia militar durante a guerra contra Napoleão e, ainda, “[...] ostentaba como galardón de su carrera, el haber iniciado en Portugal la reacción contra el invasor. Carlos Frederico Lecor, el único de los oficiales extranjeros que mereciera el honor de comandar una división inglesa a las órdenes de Wellington [...]”2
Durante o conflito o então Tenente-Coronel Lecor deserta, assim como outros oficiais lusos, indo para a Inglaterra, onde organiza a Leal Legião Lusitana contra o sistema napoleônico. Lecor luta em território francês e, uma vez havendo a derrota do oponente, as vitoriosas tropas portuguesas retornam ao seu país lideradas pelo marechal-de-campo Lecor.
Assim, com o fim da guerra no velho mundo e com os interesses da monarquia de Bragança nos assuntos americanos, é decidido que tropas sejam enviadas para a América. O Tenente-General Lecor, então Governador da Praça de Elvas3, é escolhido4 para liderar os militares portugueses envolvidos na conquista da Banda Oriental.
Com a conquista lusa de Montevidéu, Lecor fica à frente do governo instalado neste núcleo urbano e, na campanha, travam-se lutas contra Artigas. Uma vez no poder, Lecor aproxima-se de pessoas de destaque de Montevidéu, tendo no seu circulo figuras como, por exemplo, o Padre Larrañaga, que outrora fora aliado de Artigas, além de ter sido o fundador da Biblioteca Pública de Montevidéu, e autor de várias obras no âmbito científico, literário, teológico e político; Francisco Llambi, assessor do Cabildo de Montevidéu em 1815, período em que a cidade está sob o poder das forças artiguistas; e, ainda, Nicolas Herrera, figura controversa na historiografia uruguaia, pelo fato de ter sido aliado do portenho Alvear e, depois, de Lecor. Sobre este oriental, soma-se que, segundo Donghi, quando as forças de Lecor marcham sobre o território oriental, Herrera está ao lado do general, além de que “(...) ahora su función es asesorar a sus nuevos amos en esa conquista pacífica que debe acompañar a la militar.” 5
Lecor também tenta compor politicamente com Artigas, entretanto, não obtém êxito. O general português, de acordo com as instruções que recebeu, propõe ao caudilho que venda as suas propriedades e bens legitimamente seus, além do exílio no Rio de Janeiro ou em qualquer outro lugar que D. João autorize e, ainda, o ganho de um soldo, que não exceda o de coronel de infantaria portuguesa. Porém, com Artigas, a “diplomacia” de Lecor malogra, não conseguindo a pacificação do território oriental.6
Para derrotar Artigas, Lecor aproveita-se do contexto oriental, pois à medida que o poderio do caudilho encolhe e o luso cresce, a população demonstra-se mais favorável aos ocupadores e, assim, Lecor militariza a população e organiza-a contra Artigas.7
Entretanto, isto não significa que Lecor obtém unanimidade, pois a resistência artiguista perdura até 1820. Porém, observa-se que Lecor sabe atrair para o seu lado aliados do caudilho8, como, por exemplo, Fructuoso Rivera.
Sobre a administração Lecor, é válido salientar que
“Mediante dádivas y honores, ganó la voluntad de los hombres; profundo conocedor de las flaquezas humanas, halagó a unos con promesas y a otros con realidades; repartió cruces y condecoraciones; distribuyó tierras que no eran de su Rey; conquistó a la sociedad de Montevideo con fiestas y saraos; casó a su oficiales con hijas del país, haciendo él lo propio; seleccionó los hombres para casa cometido; eligió a su gusto los Cabildos, organismos que tenían prestigio popular y que fueron el secreto de su política, y de tal suerte dispuso las cosas, que todos los actos de incorporación a la corona de don Juan VI o cesiones a favor de ella, parecieron siempre hechos espontáneos, debidos a solicitudes y ruegos de nuestro pueblo, que se lisonjeaba en proclamarlo su Rey.”9
Medida tomada por Lecor e apresentada na extração acima é a de incentivar o casamento entre os militares luso-brasileiros com as mulheres de Montevidéu. Observa-se, inclusive, que o próprio Lecor casa-se, em 1818, com Rosa Maria Josefa Herrera de Basavilbaso, que à época possuía 18 anos de idade.
No mesmo ano do seu casamento, Lecor recebe o título nobiliárquico de Barão da Laguna, em virtude das mercês que D. João VI concede pela sua aclamação e coroação como rei de Portugal, Brasil e Algarves. Sobre a origem do Laguna no título do militar português, Duarte afirma que “Acreditamos que, ao conferir o título de Barão da Laguna ao General Lecor, reportara-se o Rei ao fato de que fora naquela povoação catarinense que o Comandante da Divisão de Voluntários Reais iniciara a penosa marcha para atingir Montevidéu.”10
Uma vez no poder, Lecor também distribuí terras entre os ocupadores, tanto as que são de posse dos chefes artiguistas, quanto as abandonadas. Além deste benefício, os invasores adquirem estâncias a baixíssimo custo, tirando proveito da situação em que o território oriental vive. Igualmente os estancieiros criollos que apóiam Lecor são contemplados com essa política.11
No que tange a política de Lecor para os Cabildos, o general, através da sua destreza e de promessas, busca a interferência e, também, a simpatia destes corpos municipais. Lecor mantém os Cabildos e os alcaides de acordo com as instruções dadas pelo Marquês de Aguiar.12 Sobre o general e esta instituição municipal, é válido observar que
“En 1819 dispuso Lecor que se alejase del Cabildo la tercera parte de sus integrantes, a excepción de Juan José Durán y Jerónimo Pío Bianqui, debiéndose elegir los sustitutos y confirmar en sus puestos a los restantes; y el 9 de agosto de 1820, el propio Lecor ordenó la separación de cinco cabildantes que protestaban por el incumplimiento de las bases de incorporación ajustadas por los pueblos del interior con el Cabildo de Montevideo.”13
Ainda sobre os Cabildos, estas instituições “[...] habían perdido el carácter popular que en otras épocas los hiciera respetables, por irregularidades en la forma de su elección e influencia que en sus deliberaciones ejerciera el Barón de la Laguna.”, além de que durante o período do governo luso
“La posición de esos cuerpos municipales respecto de Lecor, no era uniforme. El de Montevideo, nombrado bajo su directa influencia, respondía ciegamente a sus intenciones cuyos secretos conocía; los del interior obedecían también sus directivas, pero sin tener una noción exacta de cuáles eran los planes de que venían a ser instrumentos.”
Assim, desacreditando estas instituições municipais, Devoto afirma que
“En los Cabildos de 1821, podía, sin duda, desde el punto de vista de las formas de su elección, reconocerse organismos legalmente constituidos, pero nombrados bajo la inspiración de Lecor, ¿hasta dónde representaban los intereses y las ideas de los pueblos? ¿Tenían, acaso, competencia para elegir sus diputados [no caso, elegê-los para o Congresso Cisplatino].”14
É válido observar que com o trecho acima, além de questionar a autonomia dos Cabildos, principalmente o de Montevidéu, Devoto apresenta as características de articulador político do general Lecor e a influência do mesmo nas instituições políticas orientais.
A atuação de Lecor à frente do território oriental é definida por Devoto como uma ação política, e que sua administração é baseada em suas articulações. O autor inclusive afirma que a característica política do personagem prepondera sobre a militar, pois, após citar o destaque de Lecor nas lutas da Europa, afirma que “en América [Lecor fue] un General de Gabinete que ganó en el campo de la intriga todas sus batallas” e que “Sus contemporáneos señalaron preferentemente una característica de su personalidad: la astucia. Lecor ‘es un raposo y no un León’, expresó con acierto Lavalleja.”15
A ação política de Lecor no território oriental não é ignorada por Duarte. O autor afirma que “Instalado em Montevidéu, iniciou o General Lecor seu trabalho de sapa, subterrâneo e paciente, implantando uma espécie de quinta-coluna, a fim de fortalecer o partido que representava, e fomentar a oposição à reconquista espanhola”16. O autor também expõe que
“Silencioso, mas dinâmico, caprichoso e astuto, sem parecer, por mais diplomático, que militar, como aparentava à luz do sol pelas revistas, formaturas e desfiles da Tropa, o General escolhido por D. João [...] desenvolvia intenso labor num meio estranho, cercado de interesses de todos os matizes.
E, para bem cumprir a tarefa de extrema delicadeza que recebera, Lecor passou a usar a sutileza, a finura na penetração dos sentidos, agindo tanto pela força, como pelo suborno, estes às vezes claro, chocante, outras vezes, ameno e até colorido de malícia... Sempre no afã de arregimentar prosélitos, procurando-os, principalmente, nas agremiações nas quais uma defecção era compromisso passível de morte, em caso de reconquista espanhola ou portenha; era indispensável admitir ambas as hipóteses. Assim, entre os castelhanos buscava adeptos que, mais tarde, pelo próprio instinto de conservação, embaraçariam e afastariam a volta do domínio de Fernando VII, e nisso sua política, embora em círculo muito limitado, evidenciou-se portentosa.”
Assim, verifica-se que a dominação lusa não acontece somente pela força militar, outros componentes, como os de caráter político, são de fundamental importância para a permanência de Lecor no poder. O trecho acima também evidencia o lado político do general, além de que há a existência de um grupo em Montevidéu que dá-lhe suporte e articula com ele, e que existem alianças e negociações entre o militar e os habitantes da cidade ocupada.
Segundo Duarte, a conquista só concretiza-se em função das habilidades pessoais de Lecor:
“[...] o General Lecor emprestou grande contribuição pessoal [à tolerância e simpatia dos orientais em relação as tropas de ocupação], impondo a seus comandados uma disciplina que contrastava com o bárbaro procedimento dos soldados de Otorgués [representante de Artigas em Montevidéu]; sobretudo atuando junto aos párocos, de maneira que estes influíssem na opinião das ovelhas de seus rebanhos [...]”
A respeito, é válido observar a relação de Lecor com a Igreja Católica. As forças ocupadoras têm, desde o início, o apoio do padre Larrañaga que, a princípio, pode ser entendido como o representante do clero católico na administração portuguesa de Montevidéu. Larrañaga está ao lado de Lecor em diversos momentos da administração do general, como, por exemplo, no Congresso Cisplatino, e na instalação da Escola de Lancaster na Cisplatina17.
Sobre o Congresso, realizado em julho e agosto de 1821, os seus deputados – Larrañaga é um deles – votam pela incorporação da Banda Oriental à monarquia portuguesa sob o nome de Estado Cisplatino Oriental, sendo, inclusive, a nomenclatura sugerida pelo sacerdote18. Grande parte da historiografia uruguaia aponta os congressistas como aliados de Lecor, e que o resultado do Congresso foi fruto das articulações políticas entre o general e os orientais. O contato com as atas do Congresso, disponíveis no Archivo General de Nación de Montevidéu, permite verificar o processo de articulação política entre Lecor e os congressistas em torno da criação da Cisplatina.
A Escola de Lancaster é implementada devido à atuação de Larrañaga e, com a aprovação do Cabildo, Lecor autoriza a implementação do método no território que está sob a sua autoridade. A Sociedade Lancasteriana de Montevidéu, constituída no dia 3 de novembro de 1821, tem como presidente Lecor
Assim, a participação do padre na constituição da Sociedade Lancasteriana, na adoção do método de ensino, e na criação da Cisplatina, são evidências que mostram a participação do sacerdote no governo luso-brasileiro e a proximidade existente na relação entre Larrañaga e Lecor. O relacionamento entre os dois também evidencia a participação oriental na administração Lecor.
Entretanto, apesar de ocorrer a participação de habitantes locais na administração do general, Lecor também atua na repressão aos seus opositores. Ele ordena, via uma publicação, que em relação aos seus oponentes a ordem é a de que
“[...] tais partidas seriam tratadas como salteadores de estradas e perturbadores da ordem pública. E, no caso de não poderem ser aprisionados os autores de tais atentados, se faria a mais séria represália às famílias e bens dos chefes e elementos dessas partidas, podendo [...] [o] Exército português [...] queimar as estâncias e levar suas famílias para bordo dos navios da esquadra.”19
Com isso, pode-se perceber a repressão por parte do governo de Lecor aos seus opositores. Autores uruguaios com os quais obtivemos contato caracterizam o governo de Lecor como violento. O que é bem provável, pois a força ocupadora, por mais que tenha um grupo que a apóie, tem os seus oponentes, que precisam ter a sua atuação anulada. Ressalta-se, também, que os opositores agem através da força e em um contexto de guerra, então para silenciar a oposição, emprega-se igualmente a força.
Provavelmente, Lecor, em determinados momentos, usa da força para alcançar os seus objetivos, no entanto, não pode-se ignorar a questão da cooptação, onde Lecor conquista a sociedade montevideana com títulos, festas e promessas.
Durante a administração Lecor, mais precisamente em 1819, é construído um farol na Ilha das Flores, nas imediações de Montevidéu. A alegação é a de que no local ocorrem constantemente acidentes – o que não é falso, inclusive, na ocasião, havia ocorrido um –, no entanto, o farol de Lecor tem um preço: o Cabildo montevideano passa para o Rio Grande vasto território pertencente à Banda Oriental.20
Neste território, de escassa população, mas abundante em gado, os ocupadores fazem vastas doações a oficiais e soldados portugueses e brasileiros, constituindo, deste modo, grande dependência econômica do território doado com o Rio Grande, “[...] a la que se pretendió anexar en 1819 con el denominado Tratado de la Farola que fijaba el límite meridional de aquélla en el río Arapey.”21
Ainda sobre a atuação de Lecor à frente do governo instalado em Montevidéu, observa-se que o personagem atua com relativa autonomia em relação ao monarca português, principalmente nos últimos momentos de união de Portugal e do Brasil. Como exemplo, pode-se citar o Congresso Cisplatino, onde o general age diferentemente das ordens do governo português, bem como procura atender os seus interesses e os do seu grupo de apoio:
“En uso de las amplias facultades que le diera la Corona, Lecor había gobernado la Provincia Oriental de manera absoluta y, en algunos casos, con independencia de la voluntad del Soberano y sus ministros, especialmente en los últimos tiempos en que los graves acontecimientos políticos de la metrópoli, rodearon de atenciones a estos últimos. La celebración del congreso dispuesta por Juan VI, fue encarada por Lecor como un asunto de su interés particular y del de su círculo. El ‘Club del Barón’ llamaron los contemporáneos a ese grupo político integrado en distintas épocas por Tomás García de Zúñiga, Juan José Durán, Nicolás Herrera, Lucas J. Obes, Dámaso A. Larrañaga, Francisco Llambí, Francisco J. Muños, Jerónimo Pío Bianqui, José Raimundo Guerra, entre otras figuras de menor volumen.”22
A respeito da participação de Lecor no Congresso Cisplatino e da conjuntura no território oriental à época do resultado da votação, Duarte afirma que
“Se a incorporação da Banda Oriental aos domínios da Coroa Portuguesa havia sido uma vitória pessoal das qualidades do Barão da Laguna, nem por isso foi ele justamente recompensado de seu árduo trabalho. Por essa época, irrompeu nas fileiras da Divisão de Voluntários Reais o manifesto desejo de retornar a Portugal [...]”23
Pode-se constatar na extração acima as dificuldades que as tropas portuguesas estão a causar durante a administração de Lecor. Agrega-se, também, a habilidade política que o general tem que ter para mantê-los e comandá-los de maneira conveniente aos seus interesses.
Nesse momento, a situação do grupamento militar português instalado no território oriental é de insatisfação. As tropas portuguesas são a favor de que se jure a Constituição, enquanto Lecor não apóia o juramento, assim como as tropas americanas24 e, ainda, os lusos reclamam pelo fato de não receberem há vinte e dois meses e desejam retornar para Portugal.
Outra insubordinação que Lecor tem que lidar durante a sua administração é o motim das tropas portuguesas em 20 de março de 1821. Na ocasião, aquela Divisão, na praça de Montevidéu, reivindica o comprometimento do Barão da Laguna com a constituição e, ainda, exige a presença de Lecor para que seja formado um Conselho Militar sob a presidência do mesmo.
Agrega-se, ainda, que é proclamada e jurada a Constituição que viesse a ser realizada pelas Cortes de Portugal, e as forças lusas obrigam Lecor a fazer o mesmo. Estas tropas também solicitam a D. João VI o regresso ao seu país de origem.
Sobre o episódio acima, Duarte25 afirma que a conspiração é chefiada pelo “turbulento” e “sumamente ambicioso, agitado e despótico” Coronel Claudino Pimentel que, tendo perdido uma promoção para o Coronel D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo, passa a “formar na facção dos revanchistas”.
Assim, Pimentel lidera o movimento, aproveitando-se do desconhecimento da tropa do que está ocorrendo na Europa. Observa-se ainda que, no caso de Lecor não aderir ao grupamento reivindicador, ele estaria deposto e substituído por Pimentel.
A atitude de Lecor diante de tal episódio é assim definida por Duarte:
“O arranhão na ‘disciplina militar prestante’ a que se sujeitou o Capitão-General, de certo modo foi um expediente hábil e sagaz, atendendo à situação periclitante em que se encontrava à frente dos destinos políticos da Banda Oriental. [...] Foi um recurso extremo, empregado somente por aqueles que têm alto sentido político, para safar-se de críticas situações.
E o Barão da Laguna, parecendo vencido nessa batalha contra alguns de seus camaradas ambiciosos, era na verdade o vencedor, pois foi capaz, com uma atitude paciente e tolerante, de impedir o agravamento da situação política em que se encontrava, sem ter em quem escorar sua autoridade, em face dos graves acontecimentos ocorridos fora da sua área de comando, em Lisboa e no Rio de Janeiro, e que fatalmente propiciariam a eclosão de uma revolta declarada, sem precedentes, no seio da Divisão de Voluntários Reais.”26
Com a extração acima verifica-se as características políticas do personagem, apresentando atitudes pensadas, premeditadas e pragmáticas de Lecor.
Esta não é a única insubordinação que Lecor tem que enfrentar enquanto está no poder. Alguns meses mais tarde, mais precisamente na noite de 23 de julho, ocorrem novos problemas com as tropas lusas, em virtude dos soldos atrasados e do desejo de retornarem para Portugal.27
Assim, em 1821, a relação entre Lecor e as tropas lusas tornam-se tensas, estando a aproximação de Lecor com o governo do Rio de Janeiro como um dos fatores, bem como a assinatura da Constituição. Os portugueses são favoráveis a questão constitucionalista e ao movimento que originou-se no Porto, já Lecor não, posterga o seu posicionamento público em relação a Constituição. Sobre a questão, Devoto afirma que “El ejército portugués americano parecía no estar dispuesto a reconocer la Constitución liberal; los ‘Voluntarios Reales del Rey’ eran decididos partidarios de ella.”28
Durante a permanência de Lecor no poder, há também momentos de tensão com os governos limítrofes. O Barão da Laguna cogita e articula uma invasão a Entre Rios. Carreras e Alvear, opositores do governo portenho, buscam o apoio do militar português para ocupar militarmente Entre Rios. No entanto, a possibilidade da ocupação malogra, dentre outros fatores, pelas turbulências ocorridas no interior das tropas de Lecor.29
No que diz respeito a Buenos Aires, quando o General Martín Rodrigues toma conhecimento da ordem para a realização do Congresso Cisplatino, ele redige epistola ofensiva a Lecor, taxando o general português de o “dono do Mundo”30. Em ofício de seis de julho a Estanislao Lopez, líder de Santa Fé, Rodríguez ressalta o perigo do expansionismo luso na região. Acreditando que o Congresso poderia votar pela anexação do território oriental à monarquia portuguesa, o general portenho expõe a Lopez que poderia haver também a apropriação, por parte de Portugal, do território oriental ao Paraná, e que Santa Fé e o Paraguai poderiam vir a ser vítimas da expansão lusa na região.31
Rodrigues, em função do expansionismo luso no espaço platino e das atividades de Lecor neste sentido, “[...] dirigió en abril 1º de 1821, un violente oficio al Barón de la Laguna en el que calificaba de insulto la ocupación de la Provincia Oriental y pedía satisfacciones por las maniobras para invadir Entre Ríos [...]” e que “El plan del Gobierno de Buenos Aires era provocar la insurrección en la Provincia Oriental para apoyarla luego”.32 Os portenhos tentam cooptar para a sua causa Fructuoso Rivera, que permanece ao lado de Lecor, e o plano não vinga.
Assim, não só a possibilidade de ocupar Entre Rios causa em Buenos Aires a hostilidade em relação ao Barão da Laguna e a ocupação luso-brasileira. O asilo que Lecor outorga a Carreras e Alvear contribui para o recrudescimento das relações entre o general e Buenos Aires.
A respeito da relação entre os governos luso-brasileiro e portenho, Devoto afirma que
“[...] se habían desarrollado en un terreno de neutralidad hasta el momento en que la protección dispensada en Montevideo a Carrera y Alvear, y posteriormente el apoyo prestado a los planes de Ramírez contra Buenos Aires, llevaron al ánimo de aquel Gobierno el convencimiento de que las aspiraciones de los portugueses en el Río de la Plata – de Lecor y su partido, mejor dicho – eran de una latitud indefinida.”33
Em novembro de 1821, mesmo depois da derrota de Ramírez, Lecor continua a ser uma ameaça a Entre Rios, tanto que o novo governador, Lucio Mansilla, através de ofícios, busca a cordialidade com o general português, evitando, deste modo, a invasão do território entrerriano. Lecor e Mansilla acabam por acordar a neutralidade, o primeiro não interviria em Entre Rios e o segundo faria o mesmo em relação à Cisplatina.34
Com a Independência do Brasil, agrava-se outro ponto de tensão existente na administração Lecor: o contingente militar luso. O Barão e as tropas portuguesas ficam de lados opostos, lutando uns contra os outros até 1824.
A respeito dos últimos anos de vida de Lecor pode-se dizer que após negociações de paz entre portugueses e brasileiros, em 1824, o general retorna a Montevidéu, ficando toda a Cisplatina sob o controle brasileiro, sendo este núcleo urbano o último ponto português na América.
No ano seguinte, o Império do Brasil eleva Lecor a Visconde da Laguna. Entretanto, a partir daí, o general enfrenta uma série de derrotas. Em 1825, os 33 orientais35 declaram a independência da Cisplatina e a reunião desta com as Províncias Unidas. Iniciam-se as lutas com os insurgentes, no que depois vem culminar na declaração de guerra do Brasil às Províncias Unidas do Rio da Prata, em 10 de dezembro de 1825, e a declaração dos portenhos, no primeiro dia de 1826, aos brasileiros. Assim, esse é o primeiro conflito externo do Brasil independente.
É válido observar que antes mesmo da resposta argentina, mais precisamente no dia 18 de novembro de 1825, Lecor é destituído pelo Imperador do governo da Cisplatina. O substituí o Tenente-General Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, futuro Barão de Vila Bela.
Lecor fica no comando do Exército do Sul, no entanto, é logo exonerado pelo Imperador, substituindo-o o Marquês de Barbacena. Porém, Lecor retorna ao cargo por mais duas vezes, somando três vezes a sua seleção.
Em 1828, após a intermediação da Inglaterra, finda-se o conflito entre o Brasil e as Províncias Unidas, criando-se a República Oriental do Uruguai. Não havendo mais o conflito entre Portugal e Espanha no território oriental, Brasil e Argentina, nos anos seguintes, exercem a sua influência e interferência na política uruguaia.
Em 1829 Lecor é promovido a marechal-de-exército e, assim, passa para a reserva. Entretanto, apesar da promoção, neste mesmo ano o Visconde da Laguna é submetido a um Conselho de Guerra Justificativo, em função da Guerra da Cisplatina, onde a votação é pela absolvição de Lecor. Após seu julgamento, o militar ainda preside uma comissão que tem o objetivo de reformar o artigo 150 da Constituição do Império, referente ao exército.
No dia 3 de agosto de 1836 falece Carlos Frederico Lecor, no Rio de Janeiro, a contar 72 anos de idade, sendo sepultado na Igreja de São Francisco de Paula. Lecor deixa como viúva a Viscondessa da Laguna, sem descendentes diretos e, segundo Duarte, o militar expira em uma má situação financeira.
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Historia da anexação
- Em 1811, na Primeira campanha cisplatina, as forças portuguesas ajudaram os espanhóis sitiados em Montevidéu a repelir Artigas e os rebelados argentinos, que permaneceram na região com a prática de guerrilhas. Em 1813, Artigas usou a denominação de "Província Oriental" para a região antes referida genericamente como "Banda Oriental", referindo-se a estar situada na margem leste ou oriental do Rio da Prata.
- Em 1815, com a restauração dos Bourbons na Espanha, surgiu em D. João VI o receio da formação de um bloco político espanhol poderoso no rio da Prata, unido e extenso. E em 1816 enviou ao sul a "Divisão dos Voluntários Reais", comandados pelo general Carlos Frederico Lécor, que tomou Maldonado e ocupou Montevidéu em 1817. Mas Artigas prosseguiria sua guerrilha. Só a vitória portuguesa na batalha de Tacuarembó, em 1820, estabeleceria o domínio definitivo do Brasil na região.
A Província Oriental, em 1820, estava devastada pela guerra entre caudilhos e desordens, e os campos despovoados de gado. A população estava disposta a aceitar uma solução salvadora e nessas condições se deu a incorporação ao Brasil. Lécor reuniu um Congresso que sancionou a anexação da "Província" ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, por Tratado de 31 de julho de 1821. A província anexada é referida como "Província Cisplatina" pelos portugueses (prefixo cis - do mesmo lado - e raiz platina - Rio da Prata): do mesmo lado do Rio da Prata que o Brasil. Tal anexação teve o apoio inicial de próceres orientais que vislumbraram a possibilidade de posterior independência do território e formação de uma nova nação.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional - Estado Proposto
Com isso o brasil tambem mudara algumas coisas como o espanhol sera tambem lingua oficial do brasil além do portugues também adotaria o espanhol como lingua oficial.
As casa administrativas orientais atuais serão residencia do residencia para orgaos administrativos do estado oriental.E outros para orgaos federais
A unica perda no setor administrativo sera as provincias intendencias uruguais.
Medidas para integração com o resto do territorio nacional
1- Facilitação para empresas se instalarem no estado oriental
2-orgaos federais no estado oriental
3-empresas estatais no uruguai
4-Difusão da lingua portuguaesa no uruguai
5- empresas brasileiras no estado oriental etc...
Formas de Unificação
1-votação do parlamento uruguaio
2-votação do parlamento Brasileiro
3-reconhecimento de outros paises.
MRN - MOVIMENTO DE REUNIFICAÇÃO NACIONAL
Haja visto que o povo brasileiro a quase dois seculos foram separados
Agora nasce um movimento que visa reunificar o brasil
O MRN vai ter um blog na internet onde colocara todas suas noticias.O MRN vai além de disponibilizar um blog vai também disponibilizar videos sobre o movimento,fotos e a Radio MRN. todo o apoio sera bem vindo é só deixar um comentario com o seu E-mail que nos retornaremos.
Já foi marcada a primeira assembleia que será desidida os pontos de ação do MRN.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
MRN - Movimento de Reunificação Nacional
O blog
Estado oriental é um movimento que visa a anecxação do atual uruguai ao brasil visando de que o uruguai já foi um estado brasileiro. e vendo que o portugues é ainda muinto usado nas regioes fronteriças do uruguai.
e da grande influencia brasileira no uruguai


